Turquia

Turquia

terça-feira, 31 de março de 2015

Por aí de bicicleta





Vida que dá rosas
que dão espinhos
que dão dor

Vida que dá voltas
que dão amores
que dão tonturas
que dão espinhos...





 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Sobre o sal do mar



"Somos mais desonestos para com Deus: Pretendemos que ele não possa nem deva pecar."

"A propensão a aviltar-se, a deixar derrubar, desfrutar e carregar-se de mentiras, poderia ser o pudor de um Deus em meio aos homens."

" Uma coisa explicada deixa de interessar. -- O que queria dizer o Deus que sugeriu: "Conhece a ti mesmo"? Talvez quisesse disser: "Deixa de interessar-te por ti mesmo! Torna-te objetivo"! -- Sócrates? e o "Homem Científico"? "
 

" É uma coisa terrível morrer de sede em meio ao mar. É realmente necessário que se ponha tanto sal na vossa verdade a ponto de torná-la incapaz de satisfazer a sede?"

- Além do bem e do mal ou Prelúdio de uma Filosofia do futuro de Friedrich Nietzsche.


Sobre o sal do mar

Beber conhecimento é chegar a tal ponto que ultrapassa-lo requer guardar o sabor da água, mas não se morre mastigando sal, aprende-se a fracioná-lo na ponta da língua, enquanto em torno, dissolve-se nas nuvens seu metal, assim é a busca, a vontade, e o sentimento oriundo animal, instinto da procura, habito de espíritos livres antes enclausurados por uma certa tortura, de não fazer e entender que o corpo também é livre, articulado, alado, e conduzido por si próprio, tendo como elemento propulsor o amor, construído dentro de cada um no ato cotidiano das boas e livres ações na vida, bons hábitos nas percepções de igualdade e tolerância, 'conhecendo a si mesmo", e tendo isso como máxima, adquirir seu próprio espaço em meio comum, com méritos de alicerces profundos.

Tenho em mente, que acima e abaixo dela, tudo é uma grande teia de sentimentos, que traduzem o abstrato, experiência única a cada ser vivente, e a cada meio presente, fazendo ponte em todos os tempos, dissolvendo alguns sincretismos, sem que isso perca o foco e a necessidade a que foi proposto tal final pensamento, entendo que também o absolutismo até hoje cria uma certa sensação de confiança que para alguns indivíduos é amplamente perigoso e limitante, daí os caos quando essa linha é quebrada, e todas as respostas viram perguntas, como então interligar alguns pontos cegos? O conhecimento é algo que atesta a grandiosidade quando nesses impasses, o silêncio e o respeito mutuo, soluciona, dentro.
Pode parecer egoísta tal resultado, mas a cada tempo se colhe um determinado grão, que só as mãos que sentiram sua textura e finalidade sabem multiplicá-lo.

Que ordem no tom
a cor desaba frente à tristeza
antes a fineza do marrom
ao som da realeza.

Caem na lágrima, suspiros
relevos no ar moderado
modernos papiros
de mares navegados.

Ao Mestre essa espada
o aço cortando rente a palavra
sua cruz é força alada
laço de água.
- Iatamyra Rocha


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

sobre a infância, o trabalho, o verão e a essência





sul do brasil. verão na ilha maravilha. férias, trânsito lento, caos. quarenta e duas praias. mística e mistura. sotaques de todo canto. procura. sentido. sentimento. na beira da praia tudo e nada. gente de todo tipo. falta espaço. sobra lixo. o vazio.

- moça, compra castanha?
- quanto é?
- um é quatro, três é dez.
- me vê um.
- leva três...
- não dá, só tenho quatro.
- seu marido tem dez.
- não tem.

...

- quantos anos será que tem este menino?
- seis ou sete.
- tanta malícia. cadê a infância desta criança?

...

o menino trabalha no sol. o  menino magrelo de sotaque nordestino. o olhar cheio de lacunas. perdido no horizonte. corpo franzino e molhado. entre uma venda e outra ele brinca e quase esquece a dor de não ter infância. não tem roupa de banho. de cueca mesmo ele entra no mar. e trata de acalmar o tempo quando encontra a menina rechonchuda que tem roupa de banho mas prefere ir à praia de calcinha. seis ou anos também.

- como é o teu nome?
- helena. e o teu?
- luiz fernando. olha aquela onda. vamos mergulhar.

- vamos. me dá a mão.

(Bianca Velloso)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Solo


  Solo

  Cachorro morto estendido
  No chão da cozinha.
  Bicicleta roubada largada
  No chão da garagem.
  Mãe abandonada confundida
  Choro espalhado
  No chão da sala.

  Primeiro chão do filho.
  Solo seco de sombra.

  Roupa suja pisada
  No chão do banheiro. 

  Irmã entre soluços
  Cortados à faca
  No chão do quarto.
  Medo partido cravado

  No chão embaixo da cama.
  Raiva recolhida rasgada
  No chão da garganta.

  Desespero solto disperso
  No chão da guerra intestina.
 
  Filho da mãe desaparecido 
  Sem chão pela porta da frente.
  Para sempre.

 
Lígia Sacras  

domingo, 4 de janeiro de 2015

Pedra-Sabão
O  áspero talco seca sob pés descalços
Odores vermelhos atraem abutres,
Olhos famintos que pousam em árvores frondosas.
O externo  quebrado retalha o coração limado
Pulsação ante a primeira queda.
Limbo das nuvens cinzas  ameaça e salva
Desaba sobre pés delicados...
As sombras de folhas  amarelecidas evaporam

Pés rudes bailam ardente(mente) num pátio de pedra-sabão.
Escultura em pedra-sabão: Mulher (autoria desconhecida). Artesanato popular em Minas Gerais.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Novos mares




Olho a porta próxima
abri a saída continua opção
silêncio adquirido no grito
simplória vocação.


Até onde ouço a concha
perco meu labirinto tinto
tocha acesa não vê trevas
Minerva é tudo que sinto.

Ô Deus porque escapa
o fio transpassa muito sangue
tenho espelho e ele é ré
inglório exangue.

O barro alça voo
sem asas ou calmaria
pausas no compasso seco
entretanto cantam bela poesia.

Entender o plano poeta
é ser linguagem atemporal
beber a sede desse mar
e deixar o vento levar o sal.
- Iatamyra Rocha

domingo, 28 de dezembro de 2014

ah se não temesse essa atrocidades cometidas por loucos fanáticos e retrógados enquanto  por a quidamos risadas de programas xulos na tv comemos nossas ceias natalinas
povos culturas  ideologias são destroçados como formiguinhas
ahhh se eu não temesse a mim mesma
ahh se eu não temesse o mundo..santa maria rogai por nós

nós